surfer: Sheila Santos

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foto: Arthur Maroto

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segunda-feira, 12 de julho de 2010


Sinto q quando ñ estou na água surfando ou esperando a minha onda... eu sou uma pessoa infeliz.

Porque quando eu dropei minha primeira onda, eu senti algo inexplicável, o significado da palavra FELICIDADE se tornou real em minha vida como nunca havia acontecido antes.

Pode parecer vazio, tolo até. Mas ñ tem explicação, é como tentar definir em palavras as diferenças entre as cores, ou definir o q é paixão.

Só quem se apaixonou sabe o q é, como é, e como é bom!

E eu sou apaixonada pelo surf, e o resto, para mim, é secundário.

Faço o q tenho q fazer diariamente para poder surfar - trabalho, administroa loja do meu pai, minhas poucas finanças. Ñ me condeno, não me culpo, simplesmente vivo para surfar e surfo por q preciso me alimentar dessa energia e dessa felicidade.

Algumas pessoas precisam trocar de carro todo ano, comprar aquela roupa caríssima, colecionar amores - eu preciso apenas surfar, surfar, surfar. Apenas isso, surfar e viver... Que o mundo consuma e seja consumido nesse frenesi desenfreado, nessa fúria de acabar com o planeta, de cada um superar o seu semelhante, seu irmão.... Essa vida é passageira!

Mas a batida que eu dei ontem, e a rasgada q eu farei amanhã - naquela valinha só minha, ao amanhecer do dia, sozinha, apenas eu e o sol como testemunha... ah, essa lembrança é eterna e ficará para sempre comigo, e eu a levarei para onde quer q eu vá, para onde quer q eu for...

E isso não tem preço, e nada se pode comparar a isso.

NADA!



Não nessa vida...

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